
Chegamos em 2026, e com isso chegamos a ̶E̶r̶a̶ ̶d̶a̶ ̶A̶G̶I̶, digo a Era dos Agentes de IA!
Você deve ter visto o OpenClaw e outras ferramentas das quais você tem um “assistente pessoal” a seu dispor. E agora o Claude Code vem forte com o Dispatch. Até não muito tempo atrás, assistentes de IA funcionavam como uma camada sofisticada de pergunta e resposta. Agora eles começam a operar como orquestradores: observam eventos, escolhem ferramentas, delegam subtarefas, monitoram processos e executam fluxos inteiros.
E foi exatamente isso que eu montei no meu fluxo pessoal. Eu chamei esse sistema de NeoAtlas: um arranjo em que o Claude Code funciona como cérebro e orquestrador, conectado ao Telegram via Claude Code Channels. Quando precisa de execução especializada, ele delega para GPT 5.4 via Codex CLI, LM Studio local ou SSH direto. O resultado é um assistente pessoal que eu realmente uso no dia a dia.
O que é o Claude Code Channels
O Claude Code Channels é um recurso lançado pela Anthropic para empurrar eventos externos para dentro de uma sessão ativa do Claude Code. Na prática, isso permite conectar o Claude Code a canais como Telegram e Discord, fazendo com que mensagens cheguem diretamente ao agente que está rodando no seu ambiente.
Isso muda a natureza do sistema. Em vez de depender de você estar na frente do terminal, o Claude passa a receber mensagens, alertas e comandos enquanto a sessão está aberta. É a ponte entre chat e execução real.
E o que é o Dispatch?
O Dispatch é um recurso do Claude Cowork que cria uma thread persistente entre seu celular e seu desktop. Em vez de abrir uma nova sessão a cada tarefa, o Dispatch mantém um único fio de conversa contínuo — o Claude retém contexto de tarefas anteriores, e você pode mandar comandos pelo celular enquanto o agente trabalha no seu computador.
Na prática, funciona assim: você abre o Claude Desktop, ativa o Dispatch, e a partir daí consegue mandar tarefas pelo app do Claude no celular. O Claude executa no seu desktop — abre apps, navega no browser, preenche planilhas, roda ferramentas — e te responde quando termina. Combinado com o Computer Use (lançado em março de 2026), o Dispatch permite que o Claude literalmente opere o seu computador enquanto você está longe dele.
Se os Channels (Telegram/Discord) são a ponte entre chat e execução para desenvolvedores via CLI, o Dispatch é a versão mais polida e integrada dessa mesma ideia, voltada para o Cowork — sem precisar configurar bots ou flags no terminal.
A diferença-chave: Channels conectam apps de mensagem ao Claude Code (terminal), enquanto o Dispatch conecta o app mobile ao Claude Cowork (desktop). Ambos resolvem o mesmo problema — interagir com o agente remotamente — mas para públicos e fluxos diferentes.
A arquitetura de delegação
O ponto mais importante não é apenas conectar Telegram ao Claude. O salto acontece quando você desenha bem a arquitetura de delegação e dá a cada peça um papel claro.

Claude Code — O Orquestrador
O Claude Code é quem decide, planeja e coordena. Ele recebe a mensagem do Telegram, entende a intenção, escolhe a estratégia e distribui o trabalho. Esse é o lugar certo para gastar tokens mais caros: onde existe ambiguidade, contexto amplo e tomada de decisão.
GPT 5.4 via Codex CLI — Nosso Agente
Quando a tarefa é mexer em código, revisar arquivos, gerar relatórios técnicos ou investigar uma base, a ideia é delegar para o GPT 5.4. Ele funciona como um worker especializado em produção técnica.
Isso é excelente para pedidos como:
- “abre o projeto X e revisa o último diff”
- “gera uma correção para esse bug e me diz o risco”
- “cria um script para automatizar essa rotina”
O Claude continua no topo, mas não precisa fazer sozinho o trabalho operacional.
LM Studio local = worker barato e local
Nem toda tarefa merece um modelo premium na nuvem. Para resumir logs, classificar mensagens, responder perguntas simples ou fazer triagem inicial, a ideia é usar o LM Studio local, rodando em localmente. Ele entra como worker barato, privado e sempre disponível.
SSH direto = infraestrutura
Há um quarto pilar que muita gente ignora: **infraestrutura não precisa virar framework**. Em vários casos, o melhor caminho é usar SSH direto. No meu fluxo, isso serve para monitorar e operar Raspberry Pi, servidor Linux, serviços, processos, temperatura, disco e health checks.
Porque adotar essa estratégia?
A ideia é ter vários modelos para organizar o gasto com tokens. Ter o Claude como o cérebro, dá para delegar outras tarefas para outros agentes. E essa estratégia vale para o Codex, caso você queria um sistema diferente e até local.
Mas será que vale usar o Claude como cérebro?
Bem, aqui eu acredito que fica a gosto do freguês. Mas é possível você usar o Codex ou mesmo um modelo local, o que muda é a estratégia de uso.
Usando o Codex SDK você consegue fazer algo parecido com o Claude liberou com o Dispatch. Você vai precisar fazer um polling para ficar escutando o seu bot no Telegram e a partir daí é só alegria. Aqui um exemplo simples de como isso pode ser feito.


Sim, o Claude que gerou esse código!
E se você quiser um modelo local como o GPT OSS, você pode usar a mesma estratégia de Pooling, a diferença que você vai bater na API do LM Studio ou do Ollama ao fazer a chamada;
Mas e aí o que dá para fazer com o seu JARVIS?
As possibilidades são aquilo que você pode imaginar. Mas em vez de só listar, vou mostrar exemplos concretos de como eu uso isso no dia a dia.
1. Controlar serviços no servidor via Telegram
Eu rodo vários bots e serviços no meu Raspberry Pi. Antes, para reiniciar um serviço ou checar se algo caiu, eu precisava abrir o terminal, conectar via SSH e investigar. Agora eu mando uma mensagem no Telegram: “verifica o status do newsBot e reinicia se estiver down”. O Claude recebe pelo Channel, executa o SSH direto no Raspberry Pi, checa o systemctl status, reinicia se necessário, e me responde com o resultado — tudo sem eu sair do celular.
2. Gerar e revisar código pelo celular
Estou no ônibus e lembro de um bug que preciso corrigir. Mando no Telegram: “abre o projeto BinanceBot, procura onde está a lógica de stop loss dinâmico e sugere uma correção para o edge case quando o ATR está zerado”. O Claude delega para o Codex CLI, que analisa o código, identifica o trecho relevante, gera uma sugestão de fix e me devolve pelo Telegram com o diff. Quando chego em casa, é só revisar e fazer o merge.
3. Monitorar bots e pipelines remotamente
Tenho um bot de trading rodando 24/7. Configuro um health check via Channel: a cada certo intervalo, o Claude verifica se o bot está respondendo, se o saldo está dentro do esperado, e se houve algum erro nos últimos logs. Se algo está fora do normal, ele me manda um alerta no Telegram com um resumo do que aconteceu. Não preciso ficar olhando dashboard o tempo inteiro.
4. Transcrever áudios e gerar artigos
Esse é um dos meus fluxos favoritos. Eu gravo um áudio pelo celular com as ideias para um artigo, mando pelo Telegram, e o sistema transcreve usando Whisper, limpa o texto, organiza em tópicos e gera um rascunho em Markdown. Esse próprio artigo que você está lendo passou por um fluxo parecido — a base veio de áudio transcrito e organizado pelo sistema.
5. Acionar pipelines de geração de vídeo com IA
Quando preciso gerar um vídeo com IA para algum conteúdo, mando o prompt pelo Telegram e o Claude aciona o pipeline local no meu setup com ComfyUI + Wan2.1. Ele configura os parâmetros, inicia a geração e me avisa quando o vídeo está pronto — sem eu precisar abrir o ComfyUI manualmente.
6. Pesquisa e curadoria automatizada
Peço pelo Telegram: “pesquisa as últimas notícias sobre AI agents e me faz um resumo de 5 parágrafos”. O Claude usa o worker adequado (GPT via Codex CLI ou modelo local) para fazer a pesquisa, sintetiza o conteúdo e me entrega o resumo formatado.
E o que é o AG-UI Protocol?
AG-UI significa Agent-User Interaction Protocol. É um padrão emergente, aberto, leve e orientado a eventos para padronizar como agentes de IA se comunicam com interfaces de usuário de forma bidirecional e em tempo real. Em termos simples, ele resolve a camada pela qual humanos acompanham, interrompem, aprovam e direcionam o que está acontecendo.
Dá para pensar no AG-UI como o tronco da nova arquitetura agêntica. Se o MCP ajuda o agente a falar com ferramentas e dados, e outros protocolos ajudam agentes a falar entre si, o AG-UI organiza a conversa entre agente e interface.
É por isso que o Claude Code Channels chama atenção. Mesmo não sendo “o AG-UI oficial”, ele é uma implementação muito concreta da mesma ideia central: eventos entram em uma sessão viva, o agente reage, pode responder pelo mesmo canal e até lidar com aprovações remotas. Não é mais uma UI estática para chat, e sim um fluxo vivo entre usuário, agente e sistema.
Mas a Anthropic não lançou o Claude Computer Use? A Open AI não vai lançar um novo assistente, temos o OpenClaw também? Porque eu deveria usar esse?
Bem, se você quer algo totalmente customizado ou talvez local sem a necessidade de conexão ou envio dos dados para nuvem, esse pode ser um caminho interessante, mas sendo bem honesto, possivelmente esse artigo vai ficar datado bem rápido, eventualmente teremos outras formas de criar e usar agentes.
Conclusão
Estamos vivendo a transição de assistentes passivos para agentes ativos. Esse é o ponto central.
O valor não está mais só em fazer perguntas para um modelo bom. O valor está em montar sistemas em que um modelo decide, observa contexto, delega, executa, monitora e volta com resposta útil no canal em que você já está. Quando você junta Claude Code, Telegram, delegação para workers e acesso real à sua infraestrutura, o resultado deixa de parecer uma demo e começa a parecer um colega operacional.
Você não precisa esperar AGI para isso. Com as ferramentas certas, dá para montar hoje um Jarvis funcional. Talvez ainda estejamos longe da AGI, mas não estamos tão longe de uma inteligência artificial bem espertinha.
📌Referências
- Anthropic. “Push events into a running session with channels.” Claude Code Docs, março de 2026. Disponível em: https://code.claude.com/docs/en/channels
- Anthropic. “Claude Code overview.” Claude Code Docs, 2026. Disponível em: https://www.anthropic.com/engineering/claude-code-best-practices
- Anthropic. “Put Claude to work on your computer.” Blog da Anthropic, 23 de março de 2026. Disponível em: https://www.anthropic.com/news/computer-use-cowork-claude-code
- Taft, Darryl K. “Anthropic’s response to the AI tool that caused lines around the block in Shenzhen.” The New Stack, 14 de março de 2026. Disponível em: https://thenewstack.io/claude-dispatch-versus-openclaw/
- CNBC. “Anthropic says Claude can now use your computer to finish tasks for you in AI agent push.” CNBC, 24 de março de 2026. Disponível em: https://www.cnbc.com/2026/03/24/anthropic-claude-ai-agent-use-computer-finish-tasks.html
- Viticci, Federico. “First Look: Hands-On with Claude Code’s New Telegram and Discord Integrations.” MacStories, março de 2026. Disponível em: https://www.macstories.net/stories/first-look-hands-on-with-claude-codes-new-telegram-and-discord-integrations/
- VentureBeat. “Anthropic just shipped an OpenClaw killer called Claude Code Channels.” VentureBeat, março de 2026. Disponível em: https://venturebeat.com/orchestration/anthropic-just-shipped-an-openclaw-killer-called-claude-code-channels
- CopilotKit. “Introducing AG-UI: The Protocol Where Agents Meet Users.” Blog CopilotKit, 2025. Disponível em: https://www.copilotkit.ai/blog/introducing-ag-ui-the-protocol-where-agents-meet-users
- AG-UI Protocol. “AG-UI Overview — Agent User Interaction Protocol.” Documentação oficial, 2026. Disponível em: https://docs.ag-ui.com/introduction
- AG-UI Protocol. Repositório GitHub oficial. Disponível em: https://github.com/ag-ui-protocol/ag-ui
- Amazon Web Services. “Amazon Bedrock AgentCore Runtime now supports the AG-UI protocol.” AWS, 13 de março de 2026. Disponível em: https://aws.amazon.com/about-aws/whats-new/2026/03/amazon-bedrock-agentcore-runtime-ag-ui-protocol/
- Bellan, Rebecca. “Anthropic hands Claude Code more control, but keeps it on a leash.” TechCrunch, 24 de março de 2026. Disponível em: https://techcrunch.com/2026/03/24/anthropic-hands-claude-code-more-control-but-keeps-it-on-a-leash/
- Dannon, Roi. “Agent-User Interaction Protocol: When the frontend got an AI protocol.” Via Engineering Blog, 7 de janeiro de 2026. Disponível em: https://ridewithvia.com/resources/agent-user-interaction-protocol-when-the-frontend-got-an-ai-protocol